maybe we found love right where we are.
"De longe lá estava ela, sorrindo com as amigas, um sorriso sereno e calmo. Eu conversava com as amigas da Alice, mas eu nunca a tinha falado com a mesma. Só nos víamos durante as manhãs dos dias úteis, ela estudava na mesma escola que eu mas de série diferente. Ela era muito linda, nossa, como ela era. Eu queria poder conversar com ela, queria poder olhá-la mais de perto e elogiá-la, mas a vergonha e a timidez me impediam. Passei longos dias só a observando de longe, tentando tomar coragem para falar um ‘oi’ e quem sabe um ‘tudo bem?’ Acordei naquela manhã disposto a conversar com ela, olhei no espelho e disse para mim mesmo ‘é hoje’. Saltei da cama para mais um dia de estudo e quando cheguei estava ela lá, sorrindo de novo. Aquele sorriso que me fazia derreter todo, que me ganhava sem ao menos saber, que me fazia suspirar de admiração. Alice tinha cabelos dourados e um corpo escultural. Qualquer marmanjo que chegasse perto iria querer desfrutar dela, e isso atormentava meus pensamentos porque como uma garota tão linda como ela era poderia querer alguma coisa comigo. Mesmo assim não andei pra trás, na verdade, eu estava tão disposto a falar com ela que nem mesmo minha timidez iria tragar. As horas passavam devagar demais ou talvez eu estava bastante ansioso para que o sinal tocasse e finalmente eu pudesse realizar o meu desejo. Fui distraído dos meus pensamentos pelo toque da largada. Meu coração pulsava como uma lebre correndo a não sei quantos quilômetros por hora. Eu não conseguia explicar a mim mesmo por que eu me sentia daquele jeito em relação a ela, sério, porque nem mesmo tínhamos conversado, mas é como se alguma força dentro de mim me puxasse para ela. Eu queria entender porque todos aqueles sinais, mas eu não conseguia entender. Quando sai, ela estava na parada de ônibus, com os cabelos em um rabo de cavalo e a bolsa de costas desleixada. Meu coração disparou tanto, mas tanto, que eu podia sentir ele sair da boca. Fiquei pensando em como iria falar, o que iria falar, será que ela iria me dar bola? será que ia prestar atenção no que iria falar? Tivesse apressada, talvez? Todos esses pensamentos vinham na minha cabeça como um tsunami. Passei alguns minutos parado a encarando, tentando organizar meus pensamentos. Até que decidi ir lá e a medida que eu ia aproximando meus passos, meu coração acelerava ainda mais. Quando cheguei perto, o ônibus chegou e ela saiu para alcança-lo. Droga! Fiquei tanto tempo pensando no que iria dizer, se deveria mesmo que acabei demorando demais. Abaixei a cabeça e fui para casa. Abri a porta e me sacudi no sofá, pensando na mancada que dei - pra mim, né. Peguei meu celular e fiquei olhando as fotos da Alice, ela era maravilhosa e eu queria muito conversar com ela. Abrir o chat vária vezes, pensando se deveria enviar alguma coisa. Digitei um 'oi’ e fiquei milésimos de segundos na cruel dúvida se enviava ou não. Fechei os olhos e enviei, meu coração acelerado, minhas mãos trêmulas. Mas, por Deus, por que estou me sentindo assim? Eu não entendia por que estava tão nervoso, nem nos conhecíamos, mas ela tinha um efeito poderoso sobre mim. Ouvi o bipe do celular me abstrair dos pensamentos que tinha. Ela tinha respondido. Fiquei por segundos parado, olhando. Ela tinha falado comigo. Meu coração estava pulando de alegria, de verdade, e eu nem sabia por quê. Mas de uma coisa eu sabia bem, que de alguma forma, alguma coisa iria nos aproximar.”
Me desculpa, Alice?
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